Sistema de crédito social chinês & cadastro positivo brasileiro: avanço da governança de dados através de big data e inteligência artificial em prol de um Estado informacional
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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA/ UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Resumo
A pesquisa teve como objetivo compreender e discutir o avanço da governança
de dados, uso de tecnologias digitais e algoritmos como inteligência artificial em
prol de um Estado informacional, a partir do mapeamento de dois dispositivos
informacionais: Sistema de Crédito Social chinês e o Cadastro Positivo brasileiro.
Este trabalho foi inspirado no avanço do uso de tecnologias de informação e
comunicação, big data e inteligência artificial para coleta e análise de dados, os
quais contribuem para o desenvolvimento da economia digital e governança de
dados. O estudo foi realizado por etapas: 1) Construção do arcabouço teórico
sobre conceitos-chave, por meio de uma visão multidisciplinar, tangenciando
algumas áreas de conhecimento como a Ciência da Computação, Economia,
Ciência Política, Comunicação e Ciência da Informação, com suporte
metodológico da pesquisa bibliográfica, documental e revisão sistemática da
literatura; 2) Pesquisa de campo com acadêmicos chineses e brasileiros por meio
do uso de Survey e entrevista semiestruturada; 3) Análise dos resultados da
pesquisa com utilização da análise de conteúdo e aplicação do programa
IRaMuTeQ, bem como discurso do sujeito coletivo; 4) Desenho da estrutura dos
dispositivos de informação de crédito; 5) Discussão dos resultados da pesquisa.
Apesar de diferentes modelos de governança, perfil centrado no Estado na China
e descentralizado no Brasil com influências de big tech, o resultado da pesquisa
revelou afinidades entre os sistemas de informação, a saber: I) Dependência dos
dados e algoritmos; II) Falta de transparência nas análises de dados; III)
Contradição entre o discurso governamental e os resultados práticos. A
investigação também percebeu uma tendência em direção à cidadania datificada
e classificada por algoritmos, em que os sistemas de informação de crédito fazem
o papel da mediação no paradigma de poder dos dados, contribuindo para o
exercício do poder político, econômico e social. Ademais, em meio a emergência
do Estado informacional em países como China e Brasil, identificou-se uma
complexa luta geopolítica pela soberania dos dados, não apenas entre Estados-
nação, mas também com empresas transnacionais de tecnologia.