Internacionalização da produção científica e mudanças nas práticas editoriais: um estudo sobre periódicos de Ciências Humanas no Brasil e na Argentina

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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLGIA / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
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Entre as muitas demandas impostas aos periódicos acadêmicos latino-americanos, a internacionalização tem sido um dos seus desafios mais prementes, afetando de forma particular as publicações das Ciências Humanas, reflexo da posição pouco privilegiada que ocupam no sistema de produção científica global. Nesta pesquisa, investigo as implicações dos processos de internacionalização da produção científica sobre as políticas e práticas editoriais de periódicos científicos da área das Ciências Humanas no Brasil e na Argentina, e como se articulam com os movimentos contemporâneos de abertura da ciência. Para isso, analiso os discursos de editores científicos extraídos de fontes bibliográficas e documentais, além de dados empíricos coletados por meio de questionário, a fim de compreender quais são as demandas e desafios enfrentados por essas revistas no âmbito da internacionalização e identificar as estratégias adotadas para enfrentá-los. O recorte empírico adotado para esse estudo é composto pelos periódicos brasileiros e argentinos de Ciências Humanas indexados nas bases de dados Latindex Catálogo 2.0, Redalyc e SciELO. A pesquisa adotou uma abordagem mista, baseada na aplicação de um questionário online estruturado, composto por 23 perguntas, dirigido a editores-chefes de 450 periódicos das Ciências Humanas do Brasil e da Argentina, obtendo 98 respostas válidas. Os dados foram coletados por meio da plataforma KoboToolbox e tratados com procedimentos de verificação, padronização e organização em planilhas Excel, analisados por meio de estatística descritiva e codificação aberta das respostas qualitativas, e apresentados de forma combinada, com descrição narrativa, tabelas e gráficos. Os resultados mostram que a internacionalização é amplamente valorizada pelos editores e tem impulsionado mudanças significativas nas rotinas editoriais. A estratégia de internacionalização mais adotada em ambos os países é a colaboração com pesquisadores estrangeiros, seja como autores, avaliadores ou membros do comitê editorial. No Brasil, há destaque para a publicação de artigos em inglês ou em versão bilíngue, enquanto na Argentina, prevalece a adoção de boas práticas editoriais, como o uso de DOI, ORCID e verificação de plágio. Nos dois países, a indexação em bases de dados de acesso aberto é priorizada, enquanto a presença em bases de citação internacional ainda é limitada. A pesquisa também aponta obstáculos como escassez de financiamento e limitações estruturais. Apesar desses desafios, os periódicos demonstram capacidade de adaptação, muitas vezes conciliando objetivos de visibilidade global com o compromisso com a circulação regional e o acesso aberto. Conclui-se que, a internacionalização dos periódicos das Ciências Humanas no Brasil e na Argentina depende não apenas de sua capacidade de atender aos critérios externos, mas sobretudo da construção de modelos sustentáveis, inclusivos e críticos, capazes de articular excelência científica, relevância social e compromisso regional.

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