Ativismo de dados e suas agendas no Brasil

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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLGIA / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
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Este trabalho explora o conceito de ativismo de dados, uma prática que combina tecnologia, política e cidadania para promover mudanças sociais, resistir à vigilância e questionar a dataficação da sociedade. O objetivo principal é reconhecer os diferentes significados e usos do termo "ativismo de dados" e suas especificidades no Brasil, traçar um histórico de sua emergência e caracterizar iniciativas demonstrativas de usos do termo. A pesquisa se baseia em dois componentes metodológicos: uma revisão teórica da literatura sobre o tema e um mapeamento empírico de iniciativas que utilizam dados para fins ativistas. A revisão teórica revela que o termo "ativismo de dados" surge na literatura científica por volta de 2014, com destaque para o trabalho do espanhol Víctor Sampedro, que o associa ao jornalismo e à luta por transparência. No Brasil, o termo ganha força a partir de 2016, com estudos que o vinculam ao midiativismo, à cultura hacker e ao movimento de software de código aberto. Autores como Stefania Milan, Miren Gutiérrez e Lonneke Van der Velden são frequentemente citados, destacando-se as categorias de ativismo de dados reativo (resistência à coleta massiva de dados) e proativo (uso afirmativo de dados para reivindicações). Na prática, o ativismo de dados se manifesta em iniciativas como Fogo Cruzado, Data_Labe e InfoAmazônia, que utilizam dados para visibilizar vulnerabilidades, promover direitos e resistir às desigualdades. Essas iniciativas demonstram como a coleta e análise de dados podem empoderar comunidades marginalizadas, questionar narrativas hegemônicas e pressionar por mudanças políticas. Além disso, o ativismo de dados se entrelaça com a ciência cidadã, como no caso do CanAirIO, que monitora a qualidade do ar na Colômbia, e do Flood Network, que auxilia na prevenção de enchentes no Reino Unido. O trabalho também traça um histórico da participação de movimentos sociais no ambiente virtual e faz críticas à dataficação e ao dataísmo, fenômenos que buscam transformar aspectos da vida em dados quantificáveis. Conclui-se que o ativismo de dados é uma forma inovadora de engajamento cívico e político no contexto digital, permitindo que populações vulneráveis e movimentos sociais coletem informações, articulem resistências e promovam mudanças significativas, e que a transparência na coleta e na metodologia de análise de dados é essencial para fortalecer as demandas e garantir a confiança pública. O ativismo de dados não apenas questiona o domínio da dataficação, mas também empodera cidadãos, fomentando uma sociedade mais justa e democrática.

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