Reinventar a avaliação da pesquisa à luz da ciência aberta

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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Universidade Federal do Rio de Janeiro
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Resumo

Multiplicaram-se, especialmente desde a última década, as recomendações, iniciativas institucionais e políticas governamentais que buscam promover a ciência aberta. Paradoxalmente, os sistemas de avaliação da pesquisa, cada vez mais fundamentados em indicadores quantitativos de produtividade e impacto, têm se constituído como um dos principais entraves à disseminação de práticas de pesquisa aberta e colaborativa. Ao priorizarem métricas de publicação e contagem de citações, os modelos avaliativos vigentes negligenciam — ou desestimulam — ações orientadas à abertura e ao compartilhamento do conhecimento. Por outro lado, também vêm ganhando força, em escala global, iniciativas que propõem reformular os atuais parâmetros, métodos e critérios de avaliação da pesquisa, vistos como subsumidos a um conjunto limitado de indicadores, que reduz e empobrece a compreensão sobre as atividades de pesquisa e suas contribuições. Frente a esse cenário, busca se investigar as tendências e desafios em torno da reformulação do modelo dominante de avaliação da pesquisa, considerando as agendas impulsionadas pelo movimento de ciência aberta, explorando tanto as críticas dirigidas à centralidade conferida às métricas nos processos avaliativos quanto as propostas emergentes que visam transformar a avaliação em consonância com valores, princípios e práticas da ciência aberta. Para tanto, parte se da compreensão do sistema de avaliação como um instrumento de governança da ciência, capaz de moldar os modos de produção, circulação e legitimação do conhecimento. Adota-se uma abordagem relacional — que privilegia, na análise, as alianças e interações entre diversos atores —, alicerçada em referenciais teóricos e analíticos da Ciência da Informação, em sua articulação com a Filosofia da Informação e com os Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Conduz-se, também, uma Revisão de Escopo (Scoping Review), inspirada nas diretrizes PRISMA-ScR, a fim de mapear o estado da arte sobre a reconfiguração da avaliação da pesquisa em sua interface com as agendas da ciência aberta, a partir do levantamento sistemático da produção acadêmico científica em português, francês, espanhol e inglês — proveniente de seis fontes de informação: Redalyc, LA Referencia, HAL, SciELO, Web of Science e Scopus. Como resultados, observou-se que as práticas de arbitragem do conhecimento científico, longe de serem imutáveis, foram, desde a fundação das primeiras sociedades e academias científicas, reconfiguradas por meio de constantes processos de embates e (re)negociações. Isso permitiu desnaturalizar a noção recorrente de que a avaliação científica sempre foi conduzida pelos pares com o objetivo precípuo de assegurar o rigor e a qualidade das pesquisas. Em um segundo momento, foram traçadas conexões entre o sistema de comunicação científica, as políticas científicas e de informação e os regimes de responsabilização (accountability regimes), destacando-se como esses elementos, em associação, configuraram condições constitutivas para a estabilização do modelo contemporâneo de avaliação da ciência. Em seguida, a análise contemplou diferentes concepções de ciência aberta, evidenciando convergências entre as propostas de reforma dos sistemas vigentes de avaliação e o conjunto de diretrizes e estratégias que buscam promover a abertura da ciência. Foram elencadas 52 ações mobilizadoras voltadas a transformar o modelo hegemônico de avaliação da pesquisa. Num quarto momento, a partir da análise de 68 estudos, foram extraídos os principais desafios, críticas e propostas alternativas para reformar o atual modelo de avaliação, de modo a alinhá-lo à ciência aberta. De forma geral, os estudos ressaltam a urgência de uma mudança nos sistemas de avaliação da pesquisa, a fim de que se passe a reconhecer e a recompensar uma diversidade maior de contribuições do trabalho de pesquisa. A bússola para essa reforma vem se estabelecendo em torno da noção de Avaliação Responsável da Pesquisa (Responsible Research Assessment — RRA, no inglês). Posteriormente, discutiu-se como o processo de plataformização acadêmica introduz novas tensões e desafios para a concretização da abordagem da Avaliação Responsável da Pesquisa, e para o construto da ciência como um bem público global. Concluiu-se, por fim, que o avanço da plataformização das infraestruturas digitais de informação científica — sob a hegemonia de grandes corporações editoriais e corretora de dados (data brokers) — tem intensificado a dependência de instituições de pesquisa, bibliotecas, agências de fomento e pesquisadores em relação a ferramentas digitais comerciais. Embora ofereçam facilidades operacionais, o uso de ferramentas proprietárias e opacas colide com os princípios da ciência aberta e da Avaliação Responsável da Pesquisa. Nesse contexto, argumenta-se que a reinvenção dos sistemas de avaliação requer o fortalecimento de infraestruturas públicas de informação e comunicação científica, orientadas por compromissos ético-políticos em direção à construção de um sistema científico mais justo, inclusivo e diverso.

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TRINCA, Tatiane Pacanaro. Reinventar a avaliação da pesquisa à luz da ciência aberta. Orientadora: Profa. Dra. Sarita Albagli. Rio de Janeiro, 2025. 377 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) — Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2025.

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